domingo, 9 de setembro de 2007

A Cicatriz

recolhidas as flores de seu buquê
prosas em versos hei de lhe dar
chantagem de um beijo ficou à mercê
do escasso tempo que não há de parar

brandos desejos cravados na dor
sintetizam luzes num céu derradeiro
espero voltar seja lá como for
a esperança que de você partiu primeiro

a ira que emana intensa fúria
fere como chaga o mais viril
descrita intensifica tal luxúria
a incompatível natureza que serviu

índoles que não mais são postas à prova
brigam cada uma por seu lugar
seja num barco, no céu ou na cova
ardente chama se exime no mar

num lapso abstraido da incerteza
corroem-se os pensamentos mais modernos
relutante incapacidade sem destreza
às quais formato neste humilde caderno

(..)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

A Nega Tiva

Lá vens tu nega sorrindo
Com essa alma rica e formosa
Estrelas no céu vão se abrindo
A te ver passar glamourosa

O que aqui me faz necessário
É saber de onde vem tanta beleza
Se de dentro do seu armário
Ou desse tímido tom de realeza

Enquanto olho para a lua amarela
Lembrando teu belo sorriso branco
Se esvai de mim toda a sequela
E me espanto com tanto encanto

Anima-me a idéia de tentar resumir
Nas linhas tortas que gira esse mundo
Tudo o que acho e penso de ti
E as idéias que de mim é oriundo

Ainda que estes finos versos padeçam
Em retalhos mágicos de cetim ardio
Faço com que cores e formas apareçam
Em um verão constantemente sombrio

Termino assim sem nenhuma esperança
Que algo mais que um sorriso lhe dar
Quem sabe voltando a ser criança
Podemos então tornar a sonhar?

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Desapego

Estranho esse tal desapego
Utopia sem limite que espreita
Total costume sem sossego
Cansado, arma a rede e deita

Emabalando ao som desse rio
Lembra o tom sustenido menor
Traumatizado apenas por um fio
Agradeceu por não ter sido pior

Frígido esse amor que não mais acalenta
Os mais diversos e secos olhares
Que vagamente repousa sob os sete mares
Papéis tingidos de púrpura murcha e lenta

Dai-me o prazer de todos os ensejos
A brilhar como o sutil e belo firmamento
Não te esqueças dos planos e dos desejos
Do pesar triste, que voou com o vento

Ainda que o corte mais profundo consentisse
O que em teu sorriso truculento esconde
Não daria ouvido às minhas doidices
Que nem as minhas perguntas mais responde

À minha mãe

Flor-de-lís

Ao amanhecer de um novo dia
Sai as ruas para aos seus dar
Carinho, beleza, pura alegria
Entre gotas estampadas em seu vago olhar

Vez em quando nos seus castos braços
Anseios fatigados palpitam de emoção
Entre ruas despidas de amores e embaraços
Um porto à espera na próxima estação

Uma voz ao longe logo anuncia:
-Lís, és tu a mais bela entre todas elas
Vermelhas, verdes, brancas e amarelas
Que entre rosas e gardênias se confundia

Infinito é o amor que sinto por ti
Que clamo tímido nesse imenso mundo
Amor maior que nunca poderei medir
Que não cabe neste abismo tão profundo

Peço-te ainda nestes versos corriqueiros
Que não tenhas medo das levianidades da vida
Que há um elo entre os montes e os coqueiros
Que separa o mal da bênção proferida

Amo-la como um homem jamais pôde amar
Abraços para as amarguras de fino sair
Fingindo ser poeta consigo conquistar
Sorrindo para o seu belo dia colorir

( ... )

sábado, 7 de julho de 2007

A arte de viver (parte II)

Ao acordar, os remelentos olhos grudados pelas lágrimas do dia anterior ofuscavam-lhe a luz e a vitalidade. Após lavá-los, preparou um café, acendeu um cigarro e, estonteante, abriu a janela para debruçar-se e sentir a primavera entrar. Os coqueiros saudavam-lhe um bom dia chuvoso com um vento sudoeste que soprava sem cessar, fazendo-o pensar.
A verdade era que não adiantava mais viver pensando que sua vida sem ela era medíocre, pois o que via se desenrolando diante de seus olhos era a pura ilusão egoísta. No início, achava que não sabia o que fazer sem tê-la por perto e se sentia um urso polar vendo o derretimento de sua morada. Ela era o seu estigma. Um amor incomum que se sustentava a base de fatores terceiros que inibiam sua essência. A verdade absoluta não existia. O que existia sim era falta de serenidade, franqueza e ousadia que dificultavam-lhe as escolhas. Os olhos se arregalavam em busca de novos olhares, mas o pequeno mundo que o cercava ainda não se mostrava por inteiro. Os pecados já não eram assim tão pequenos como pareciam. Procurava outras cores no céu para enfeitar seu dia.
O mar estava agitado. A arrebentação era o expoente que curava-lhe a longo prazo. Se o mundo dá mesmo tantas voltas, porque é tão dificil assim voltar a viver como antes? será o tempo o principal fator de tamanha façanha? onde estará o espírito do tempo?

quinta-feira, 28 de junho de 2007




A tecnologia do homem coisificado se resume em uma força exterior. E o que tá dentro? é bagaço? ou essência?



terça-feira, 26 de junho de 2007

A arte de viver (parte I)

Um dia antes ele tinha comido morango com açúcar, banana com aveia, mel, castanhas e manga com leite. Não sabia que tinha experimentado um veneno. Viu que o sangue que escorria de sua boca era um sinal. Porém, depois de ter travado algumas lutas em sua pseud0-realidade, tentou estancar seu sangramento com sal. Pode?!
Beltranus Moreira estava sozinho em casa numa bela noite de domingo. A lua já aparecia no céu. Beltranus olhava para o mar de sua janelea. Após ter coisificado sua vida em troca de felicidade durante anos, resolveu largar tudo e ir morar à beira-mar. Tinha deixado de comer algumas dessas coisas que supostamente fariam mal e redimiu-se ao papel de tolo para provocar ilusões durante quase toda sua vida. A troca nem sempre é justa. É para tanto que as novidades se revelam, como no mais puro olhar ao ver a vertigem sucubindo a céu aberto, mais puro que a cólera que faz dele um anormal. Onde já se viu?! manga com leite só faz mal pra quem tem convicção disso!
Ele seguia então ao segundo passo. As frutas colhidas em seu humilde jardim já não pareciam-lhe comestíveis. Os cogumelos, murchos, já não serviam-lhe um chá. E ao avistar o mar, só tristeza. Demonstrava ter dominado a técnica para ver o amadurecer do fruto antes do período da colheita, mas esse dom não foi dado à ele. Enganava os que pediam seu conselho e gostava de beber vinho e comer pão de alho em tempo quente. Tornou-se obsoleto no tempo.
Consigo, a realidade foi dura. Andou mundo a fora buscando a saída, mas tornou ao mesmo lugar de onde partira. Ao olhar o firmamento, vê sua vida passar diante de tanta beleza. A beleza que ofuscava-lhe a vista para esse mundo.
Ao terceiro passo, já conseguia estabelecer um equilíbrio entre o bem e o mal. Tinha vivido tempo suficiente pra saber o que queria. Mas, meus caros... a troca nem sempre é justa!. A vida parecia ir bem até descobrir a verdade.


(...)